Rebeca Andrade está, mais uma vez, fazendo história! Neste sábado (24), a ginasta brasileira conquistou a medalha de ouro na final do salto do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã, na Holanda, e alcançou um feito que nem mesmo Simone Biles conseguiu: o tricampeonato mundial no aparelho. Diva!
De volta à competição após ficar fora da edição de 2025, a atleta de 27 anos mostrou que segue entre os maiores nomes do esporte e ampliou uma coleção de medalhas que já colocou seu nome na história da ginástica.
E teve um detalhe especial nessa conquista, viu? Simone estava lá para assistir a tudo de perto! Rival de Rebeca em algumas das disputas mais marcantes dos últimos anos, a americana acompanhou a final da arquibancada, como convidada de honra do Mundial. Depois de garantir o lugar mais alto do pódio, a brasileira fez questão de reconhecer a importância da presença da estrela americana e destacou a atitude da colega. Vamos aos detalhes!
Para levar o ouro em Roterdã, Rebeca Andrade somou média de 14,466 pontos após executar dois saltos: o primeiro recebeu nota 14,400, enquanto o segundo foi avaliado em 14,133. A brasileira superou as americanas Claire Pease, que ficou com a prata ao registrar média de 14,233, e Skye Blakely, medalhista de bronze com 14,166.
O resultado confirmou o domínio de Rebeca no aparelho em diferentes edições do Mundial. A ginasta já havia conquistado o ouro no salto em Kitakyushu, no Japão, em 2021, e na Antuérpia, na Bélgica, em 2023. Agora, com a vitória na Holanda, tornou-se tricampeã mundial da modalidade.
Rebeca é a primeira brasileira a vencer três títulos mundiais em uma mesma prova e a segunda ginasta da história a alcançar três ouros mundiais no salto, depois da chinesa Cheng Fei.
E não foi apenas o número de títulos que aumentou! Com a medalha deste sábado, a brasileira chegou a dez pódios em Campeonatos Mundiais, considerando suas quatro participações na competição. Antes da final em Roterdã, eram três ouros, quatro pratas e dois bronzes. Agora, são quatro medalhas de ouro, quatro de prata e duas de bronze.
Além dos dois títulos mundiais no salto anteriores ao de 2026, Rebeca já havia conquistado o ouro no individual geral do Mundial de Liverpool, na Inglaterra, em 2022.
Em entrevista ao ge após a conquista, Rebeca demonstrou satisfação com o resultado e não escondeu que a estratégia foi diferente de outras apresentações de sua carreira. “Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas isso foi suficiente para ganhar o ouro e estou satisfeita”, afirmou.
A presença de Simone Biles na arquibancada foi um dos elementos mais simbólicos da final. Aos 29 anos, a americana é a ginasta mais condecorada da história da modalidade, com 30 medalhas em Campeonatos Mundiais, sendo 23 de ouro, além de 11 medalhas olímpicas, sete delas douradas.
Rebeca, por sua vez, chegou a dez medalhas em Mundiais e seis pódios olímpicos, com dois ouros, três pratas e um bronze nos Jogos. É a maior medalhista olímpica da história do Brasil.
Mesmo com currículos tão expressivos, as duas construíram uma relação marcada por grandes disputas e pelo reconhecimento mútuo. Ao falar sobre a presença da americana em Roterdã, Rebeca ressaltou que Simone é uma referência não apenas para ela, mas também para as demais atletas.
“Simone é uma grande referência. É importante para mim e para todas as meninas que estão aqui dentro da competição e principalmente para as colegas de equipe dela, mostrar essa força”, declarou a brasileira, também ao veículo.
Na sequência, Rebeca destacou que a decisão de Simone de comparecer ao Mundial para acompanhar as outras ginastas teve um significado especial. “Ela poderia estar em qualquer lugar, mas escolheu estar aqui para torcer pelas meninas, para vibrar e torcer por todas as ginastas que estavam presentes, então fico muito feliz”, completou.
Rebeca e Simone estiveram no centro de alguns dos momentos mais marcantes da ginástica artística em 2023 e 2024. No Mundial de 2023, na Antuérpia, a brasileira venceu a americana na final do salto, enquanto Biles levou o ouro no solo e no individual geral.
Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a disputa entre as duas voltou a chamar atenção. Rebeca conquistou o ouro no solo, com Simone ficando com a prata. A americana, por sua vez, levou o título do salto e do individual geral, prova em que Rebeca também subiu ao pódio.
Em Paris, as imagens das duas no pódio do solo ganharam repercussão internacional, especialmente pelo reconhecimento de Simone à apresentação da brasileira. A rivalidade, portanto, nunca se resumiu a uma disputa simples entre vencedora e derrotada: as duas se alternaram no topo, elevaram o nível das finais e se tornaram referências para novas gerações.
Em Roterdã, a situação foi diferente. Simone não estava inscrita para competir e acompanhou o Mundial como convidada de honra. A americana não disputa uma competição oficial desde os Jogos de Paris, mas também não anunciou aposentadoria nem confirmou quando voltará às provas.
Em agosto de 2026, ela publicou que havia retornado ao World Champions Centre, seu centro de treinamento em Spring, no Texas. A possibilidade de competir nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, continua em aberto, embora não exista confirmação de seu retorno às competições.
Enquanto isso, Rebeca aproveitou a oportunidade para escrever mais um capítulo da própria história.
A conquista de Rebeca foi um dos principais resultados brasileiros no Mundial, mas a delegação ainda enfrentou desafios na competição. Na final feminina por equipes, realizada na quarta-feira (21), o Brasil terminou em quinto lugar, com 159,730 pontos, e não conseguiu garantir antecipadamente uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
A seleção feminina, no entanto, assegurou presença no Mundial de 2027, em Chengdu, na China. A competição distribuirá mais nove vagas olímpicas, mantendo vivo o caminho da equipe rumo à próxima edição dos Jogos.
Na final do individual geral, disputada na sexta-feira (23), Flávia Saraiva terminou em 12º lugar, enquanto Lorrane Oliveira ficou na 21ª posição. Entre os homens, o Brasil não avançou a nenhuma final, algo que não acontecia desde 2010. A equipe encerrou a fase classificatória em 19º lugar, após a queda de Arthur Nory na barra fixa.
O país ainda tinha outra oportunidade de subir ao pódio em Roterdã com Flávia Saraiva, que disputaria a final da trave no domingo (25), a partir das 10h, no horário de Brasília. A brasileira havia se classificado com a terceira melhor nota e chegava à decisão após conquistar o ouro no aparelho na etapa húngara da Copa do Mundo, em setembro.